História de Caraguatatuba

Origem do nome Caraguatatuba

No século XVI, os Tupinambás já habitavam o território da enseada de Caraguatatuba. Neste período, o sítio ficou conhecido como terra abundante em Caraguatás (bromelia balansae), planta da família bromeliaceae de cujas fibras os padres missionários confeccionavam suas sandálias, originou-se a denominação “Caraguá”, corruptela de “Caraguatá” e de “Tuba”, grande quantidade. Dela, os caiçaras produziam o xarope de caraguatá para consumo próprio.

O município de Caraguatatuba continua uma região abundante em Caraguatá, facilmente encontrado nas matas, sobrevivendo em lugares úmidos.

Caraguatá: planta espinhosa + tuba (por tyba) grande quantidade.

Gueromimis, os primeiros moradores

Todos os registros referentes aos índios Gueromimis, datados do século 17 em diante, apresentam diferentes denominações ao grupo: Maramimis, Maramomins, Maromomis, Maromomins, Mamuriminis, Miramumis, Murumumis, Guaramomis, Guaramumins, Guaramumis, Guarimunus, Guarumumis, Guerumimis, Guamemins e outras.

Os Gueromimis, remanescentes do grupo indígena Guaianá, migraram para várias regiões do Brasil buscando áreas mais seguras para sua sobrevivência. Entre os locais para onde eles se deslocaram, uma se destacou por suas condições extremamente favoráveis: o Litoral Norte do Estado de São Paulo.

Os indígenas dessa etnia passaram a dominar a região litorânea de Caraguatatuba no início do século 17, fugindo da escravidão e do avanço dos colonizadores europeus.

Por volta de 1625, a região de Caraguá passou a ser conhecida como “Enseada dos Guaromimis”. Com o domínio do homem branco, os Gueromimis foram levados, gradualmente, à extinção.

Colonização portuguesa

Caraguatatuba pode ser considerada uma das cidades mais belas de todo o litoral brasileiro graças às suas belezas naturais. Os primeiros sinais de povoamento surgiram após 1534, quando o rei Dom João III de Portugal dividiu o Brasil em 15 Capitanias Hereditárias e as entregou em regime de hereditariedade a nobres, militares e navegadores ligados à da Corte. O objetivo do reino português era facilitar a administração e acelerar a colonização das recém-ocupadas terras brasileiras.

Foi criada então a Capitania de Santo Amaro, que se estendia da foz do Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba, até Bertioga. Esta porção de terra foi entregue ao navegador Pero Lopes de Sousa, um nobre português de destaque na época.

Mas Caraguatatuba surgiu apenas no século 17, por meio da concessão de Sesmarias — um instituto jurídico criado pelo Império de Portugal para distribuição de terras a particulares para a produção de alimentos. Nos primeiros anos de 1600 o capitão-mor Gaspar Conqueiro doou a Miguel Gonçalves Borba e Domingos Jorge a porção de terra localizada na bacia do Rio Juqueriquerê.

Foi exatamente naquele ponto que a cidade começou a nascer entre 1664 e 1665 que surgiram sinais de povoamento, com a construção dos primeiros prédios, como a pequena igreja de Santo Antônio, santo padroeiro da cidade de Caraguatatuba.

Mas o pequeno povoado foi assolado por diversos surtos, entre eles o mais mortífero ocorreu em 1693. A varíola, conhecida na época por “Bexigas”, dizimou boa parte da população. Os sobreviventes fugiram para as vilas próximas, Ubatuba e São Sebastião.

A doença fez o crescimento retornar à estaca zero, o que atrasou o desenvolvimento do povoado em alguns anos. Após a grande mortandade, o local passou a ser chamado de “Vila que desertou”.

O novo povoado foi elevado à condição de Vila de Santo Antônio de Caraguatatuba em 27 de setembro de 1770, a pedido de Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Morgado de Mateus, o então capitão geral da Capitania de São Paulo.

No século 19, mais precisamente em 16 de março de 1847, o presidente da Província de São Paulo, Manuel da Fonseca Lima e Silva, ordenou que a vila passasse a ser denominada Freguesia.

Caraguatatuba recebeu sua emancipação política e administrativa em 20 de abril de 1857.

A população caraguatatubense ainda teve de superar um surto de malária, em 1884, e outro de gripe espanhola, em 1918. As duas epidemias causaram um grande número de mortos.

O ressurgimento e, posteriormente, o crescimento do povoado só veio com a chegada de famílias de estrangeiros, que se instalaram na Fazenda dos Ingleses. A propriedade se estabeleceu em 1927 e trouxe benefícios como o aumento da população, a formação de trabalhadores agrícolas e artesãos, o surgimento do comércio e o crescimento substancial da arrecadação municipal.

O progressismo da Freguesia de Santo Antônio de Caraguatatuba forçou o Governo do Estado de São Paulo a reconhecê-la como Estância Balneária em 30 de novembro de 1947. Sua comarca foi instalada poucos anos depois, em 26 de setembro de 1965.

Os moradores da cidade superaram a catástrofe de 1967, reconstruíram o município até transformá-lo em um polo de desenvolvimento. Caraguá tem boa infraestrutura composta por shoppings, supermercados e lojas. Hoje a cidade é o polo comercial mais importante do Litoral Norte.